B.B. King: 84 anos, live and well

BBKing.jpgHoje, dia 16 de setembro, Riley B. King completa 84 anos de idade. De antemão, aviso que esse post não tem o intuito de discorrer sobre a carreira do aniversariante, nem mesmo desfilar informações sobre sua biografia. Essa é apenas uma singela homenagem de mais um dentre as centenas de milhares de súditos que o Rei do Blues tem.

B.B. King dispensa grandes apresentações. A famosa revista americana Rolling Stone, numa lista dos 100 maiores guitarristas de todos os tempos, reservou para o Rei a terceira posição, ficando atrás apenas de Jimi Hendrix e Duane Allman. A Time Magazine o colocou como o terceiro melhor guitarrista. King foi incluído no Blues Hall Of Fame, em 1980, e no Rock & Roll Hall of Fame, em 1987, e já foi ganhador de 15 Grammy Awards. Quem curte blues, alguma vez na vida já escutou seus inconfundíveis solos de sua guitarra Gibson Lucille , seus vibratos melódicos, e seu poderoso e grave timbre de voz. Ele pode até não ser uma unanimidade como guitarrista (uma vez que seu estilo mais lento de tocar desagrada a muitos), mas sem dúvida é um ícone na história do blues (e eu arriscaria dizer até mesmo da música).

Completando hoje 84 anos, o inegável Rei do Blues continua mantendo-se na ativa, com 26 shows agendados por todo território norte-americano (com data reservada até mesmo para fevereiro de 2010), dando indicação que enquanto estiver vivo, não pretende parar. Há alguns meses, ele esteve mais uma vez tocando no Festival de Montreux. Seus shows já não possuem a mesma vitalidade de anos atrás, o que é compreensível. Porém, a paixão de B.B. King pelo blues e pelo que ele faz é visível em todas as suas aparições. Mesmo com a idade avançada e com todas as dificuldades físicas que isso acarreta, ele se mantém fiel à música e ao público, dedicando grande parte de sua vida ao blues.

Em seu mais recente álbum, lançado em agosto de 2008, ” One Kind Favor “, B.B. King abre com uma música chamada ” See That My Grave Is Kept Clean “, originalmente escrita por Blind Lemon Jefferson, em que uma parte da letra diz: ” Há apenas um favor que eu peço a vocês, que mantenham meu túmulo limpo “. Pode parecer meio mórbido – e até é – mas King sabe que seu tempo está chegando e, ao que parece, ele está tentando aproveitar ao máximo.

Sou suspeito para falar de B.B. King, pois fui apresentado ao blues lá pelos idos anos de 1993/94, através da clássica “The Thrill Is Gone“, de B.B. King. Lembro-me como se fosse hoje, eu ainda com uns 15 ou 16 anos, ouvindo blues pela primeira vez, especificamente essa música na versão do álbum ” Live at the Apollo “, que foi gravado com o auxílio de uma orquestra (som carregado em metais de todos os tipos). Quem diria, em sã consciência, que um moleque aos 15 anos iria gostar daquilo (ainda mais numa época que os adolescentes estavam caindo dentro do tal funk que tomava conta do cenário carioca)? Nem mesmo meu padrinho, que colocou o disco para eu escutar, imaginaria que eu iria me apaixonar completamente por aquele estilo que, ainda hoje, é o meu preferido. No início, a maioria das coisas a que eu tinha acesso era emprestada por esse meu padrinho, pois o acesso a álbuns de blues era muito restrito. BBKing2.jpgGraças ao avanço da internet, pude conhecer e me aprofundar cada vez mais, mas ainda hoje não me considero um expert no assunto. Sou apenas alguém que curte muito o blues e está sempre procurando coisas novas deste estilo.

De lá para cá, mergulhei fundo no mundo do blues, tendo ido há inúmeros shows de diversos artistas, sendo uns 4 somente de B.B. King. De 1994 para cá, quase todas as vezes que o Rei do Blues se apresentou em solo brasileiro, eu estava lá. Em 1994, a primeira vez que fui a seu show, ficou marcado na minha mente. Lembro-me nitidamente que ninguém queria ir e, assim, meu pai acabou cedendo e foi comigo: antigo ATL Hall, no finado Free Jazz Festival, com abertura de Etta James. Um show inesquecível, quando B.B. King ainda apresentava uma vitalidade incrível. Na última vez que esteve no Brasil, em 2006, não pude ir, pois infelizmente estava morando em Porto Velho e não tive como viajar para o Rio.

Assim, se hoje conheço e curto blues, primeiro devo ao meu padrinho que me apresentou, e segundo devo a B.B. King, que me fez apaixonar pela sonoridade e melodia de seus solos e vibratos. E aqui deixo meus parabéns públicos a essa figura incrível, sempre simpático, pronto a tentar agradar seus fãs, uma verdadeira majestade.


B.B. King tocando “Blues Boy Tune”

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