Paraíso Tropical

A TV Globo vem exibindo uma propaganda mostrando “estrangeiros” falando sobre o Paraíso Tropical, remetendo tal acunha ao meu querido Rio de Janeiro. É um comercial que vem anunciando a nova novela da Globo, de Gilberto Braga e Ricardo Linhares, que se passará na cidade carioca.

Que Paraíso Tropical é esse onde crimes e barbaridades acontecem todos os dias? A última e mais escabrosa é a terrível morte do menino João Hélio Fernandes, arrastado por sete quilômetros por bandidos. O animal que estava na direção – sim, porque alguém que faz isso não pode ser considerado ser-humano – ainda andou em alta velocidade em ziguezague com o carro para tentar se livrar do pobre coitado pendurado pelo cinto de segurança! O que isso, meu Deus? A que ponto chegamos! É lastimável o nível de violência ao qual chegamos. O pior é que por mais que eu tente ser otimista, não vejo luz no fim do túnel, não vejo solução.

Um menor está envolvido nesse crime bárbaro. O pai do criminoso ajudou na prisão do filho. Ele próprio não se conforma com que o filho fez. Ninguém em sã consciência se conformaria. Um depoimento desse senhor, retirado de uma reportagem do Globo Online, me chamou a atenção:

Trabalho como pedreiro e vigilante. Estou sem carteira assinada. Temos cinco filhos, ele é o do meio.

Eu sempre me pergunto porque em quase 100% dos casos que eu vejo, uma família com maior poder aquisitivo sempre tem menos filhos do que uma família que mal conseguiria sustentar uma única cria. O que será, meu Deus, que passa pela cabeça dessas pessoas que, infelizmente, por uma questão crítica de desigualdade social – que também precisa ser combatida – não têm nem onde cair morto e resolve fazer filhos a três por quatro. Será que é falta de instrução? Falta de consciência? Ou falta de vergonha na cara mesmo? Ou, pior ainda, será que não é o próprio governo que incentiva esse tipo de atitude, dando esmola por cada filho que a família tem, ao invés de criar um programa de controle de natalidade? Família pobre, vivendo em precárias condições, com cinco, seis, dez filhos… não é evidente que daí não vai sair boa coisa? Claro, tem suas exceções. Posso estar errado, não sou expert no assunto, mas isso nada mais é do que uma opinão leiga, a qual qualquer cidadão tem direito.

Os bandidos vão responder por latrocínio, ou seja, roubo seguido de morte. Não tem agravante o modo como foi cometido o crime, o nível de crueldade. A pena para o tal do Diego, que é maior de idade, varia entre 20 e 30 anos, porém é réu primário, e não sei mais o que, acaba cumprindo um sexto da pena e saindo da cadeia com 5 anos. Quem, em sã consciência, pode achar que um animal frio desse tem condições de reabilitação? O outro caso, do menor, de 16 anos, é pior ainda. Só poderá ficar detido por no máximo 3 anos, segundo o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente). É uma ECA mesmo. Impunidade, impunidade, impunidade!

Aí vem a presidente do STF, ministra Ellen Gracie, dizer que é contra a diminuição da maioridade penal e que as leis não precisam ser mudadas. Bastaria uma justiça mais ágil. Agilidade apenas não resolve nada. É necessário que venha acompanhada de eficiência. E a diminuição da maioridade é necessária e urgente! Menores com corpanzil de 20 anos e mente criminosa de adulto tem que arcar responsavelmente por seus atos. Votar com 16 anos pode, pois já são responsáveis para tal, mas ir preso por crimes cometidos não? Que hipocrisia! Além das infindáveis promessas, que nunca se transformam em realidade.

Vivemos num país de absurdos. Um país, infelizmente, sem futuro. Quem, por mais otimista que seja, consegue ver futuro nesse Brasil? Quem? Eu consigo ver um futuro de bosta, um futuro cada vez pior. Penso mil vezes se quero colocar um filho no mundo para ter que passar por tanto sofrimento. Enquanto isso, os Joãos e Josés da Silva, com suas Marias, vão parindo feito coelhos no cio, sem responsabilidade, sem um pingo de consciência. Mães cada vez mais jovens, com 13, 14 anos, gerando os bandidos do futuro.

É nessas horas que dá vontade de colocar a cara na janela e berrar o mais alto possível: PUTA QUE O PARIU!! Isso para ver se alivia o mal-estar, se alivia a revolta.

Aí a Globo me vem com essa babaquice de Paraíso Tropical. Só se for coisa de novela mesmo.

PS: Esse post é apenas um desabafo. E, como todo desabafo, tende a ser mais emotivo do que racional. Levem isto em consideração.

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1 comment to Paraíso Tropical

  • Adriano Palmieri

    Gostaria de acrescentar uma coisa a mais… a Globo também incentiva muita coisa errada.. um exemplo é colocar adolescentes em supostas “cenas de sexo”… é rídiculo isso… fazer apologia ao sexo adolescente…mostrando que hoje em dia é normal e que os pais devem aceitar que seus filhos comecem a vida sexual mais cedo…. é revoltante e eu me sinto ofendido em ver esse tipo de coisa acontecendo e ninguém percebe essa lavagem cerebral que a globo faz.
    ´Não vejo a globo fazer apologia aos “estudos”… ao “conhecimento” à cultura… não vejo nenhum personagem de novela falar “vou estudar para ser alguém na vida”. ao invés disso vejo adolescentes fazendo “amor” na novela. Mulheres vendendo seus “corpos perfeitos” para um comercial de cerveja… supostos “cantores” cantando musiquinhas de “festa do gueto” e enxendo o rabo de dinheiro e a pobre “massa” comprando cd´s desses “bélissimos artistas” com suas letras intelectuais. Quando a “massa” vai acordar???

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