Programão

Anteontem, quarta-feira, dia 20 de dezembro, Natal quase batendo às portas, foi inaugurado um supermercado aqui pertinho, do outro lado da rua. Foi o fim de um longo processo que acompanhamos praticamente desde o início, quando nos mudamos para cá no fim de fevereiro. Durante esses dez meses, tivemos que agüentar muita poeira, muito barulho, alguns transtornos no trânsito, caminhões dos mais variados tamanhos, mas agora podemos dizer que temos um supermercado bem do lado de casa (pelo menos até fevereiro, quando vence nosso contrato de aluguel e não sabemos se os proprietários vão querer renovar ou vice-versa).

Não sabíamos exatamente quando iria ser a inauguração. Ouvimos boatos de que seria amanhã, dia 23, mas quando saíamos de casa na quarta-feira, uns 10 minutos antes das 8 horas da manhã, notamos uma concentração meio estranha em frente ao supermercado. Até comentei com a Renata que provavelmente deveria ser fila para processo de seleção de emprego. Estávamos enganados. À noite, quando voltamos da clínica, vimos que o supermercado estava não só aberto como completamente lotado. O estacionamento, bem grande para as proporções de Porto Velho, estava apinhado de carro. Aquela fila da manhã já era de pessoas esperando o supermercado abrir. Fala sério, não?

Pois bem, como tínhamos que comprar alguma coisa para comer, paramos no supermercado. Aquilo parecia a 25 de Março (para os paulistas) ou a Uruguaiana (para os cariocas) em véspera de Natal. Gente para tudo que era lado, congestionamento de carrinhos de compras, uma barulheira, enfim, todas as características comuns a um belo programa de índio (sem querer ofender os índios). Como Porto Velho é tão carente de novidades, até inauguração de supermercado vira atração. Compramos o que tínhamos que comprar e demos no pé o mais rápido quanto foi possível.

No dia seguinte à inauguração notei algo bem curioso. Na esquina ao lado do supermercado já tem uma mini-van vendendo cachorro-quente e um balaio de gato vendendo espetinho e outras guloseimas, com direito à proteção contra-chuva e banquinhos para sentar. É nessas horas que a gente percebe o quanto o povo brasileiro é empreendedor. Não precisou nem de um dia para alguém perceber a oportunidade de novos negócios, nem que seja de forma arcaica e improvisada, e tentar garantir, do jeito que dá, sua sobrevivência, enquanto melhores chances não chegam.

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Este é um blog pessoal escrito por André Sá, (28, 29, 30, 31) 32 anos, carioca branco azedo de praia, fã de blues, fotografia, cinema e literatura em geral.

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